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sábado, 11 de agosto de 2012

DO SONHO


O sonho desprega-se das paredes do cérebro
Em placas tectônicas cor de diamante
E vagam pelo mundo metafísico
Abalando em tremores o corpo físico.
Estes impulsionam o maquinário humano
Fazendo com que suas vidas
Tenham um toque de
Divino.
Mas o tempo faz com que os sonhos,
Desgastados,
Tornem-se menos visíveis,
Sensíveis,
Exprimíveis,
E logo se transformam em fantasmas
A vagar pelo limbo do subconsciente
Vindo a consciência raras vezes
Disformes, incômodos e até
Irreconhecíveis
Para assombrar a mente do sonhador
Até caírem no esquecimento completo
Esperando quase que invisíveis
Que o eterno esquecimento os engulam
Na eterna escuridão
Ao qual estão fadados todos os homens.     

terça-feira, 15 de maio de 2012

No caminho percorrido ele percebeu,


“Há algo errado!” Ele dizia
Com o coração apertado pisando em folhas secas.
Vivia aflito, com os olhos perdidos,
Muitas vezes ensimesmado. Paralisado.
Sentia dores diárias no corpo todo
E não acreditava estar desperto.
“Se essa é a realidade, eu não quero mais.” Dizia desanimado.
Conversava, mas não prestava atenção em nada.
E quando queria falar, calava-se,
Pois sabia que não seria ouvido.
Sentia-se Sísifo...
Dizia-se Sísifo...
Sabia-se Sísifo...
E sua pedra estava úmida de suor e magoas.
Olhava-se no espelho e não acreditava.
Acordava angustiado, olhava em volta e dizia:
“Não é possível!”

terça-feira, 17 de abril de 2012

Existem dias que você acorda mal



Existem dias em que você gostaria de não ter acordado...
"Você não quer tomar um café?"
"Não quer se levantar e lavar o rosto?"
...e fica imóvel na cama com o cabelo despenteado. 
O cigarro aceso na mão derrubando cinzas no carpete.
"Ligue para o trabalho. Diga que esta doente."
Tudo o que você faz é ligar a TV e procurar por algo inútil
Nas dezenas de opções que a operadora prestativamente lhe cobra.
Você vê, mas não enxerga.
"...acho que é uma virose."
Tudo o que você quer é o silencio primordial que já não existe mais.

O despertador grita: “Vamos meu chapa, esta na hora de se levantar.
“Há um congestionamento intercontinental lá fora pra você enfrentar.
“Você não pode se atrasar, a produção não pode parar,
“ninguém quer perder dinheiro por você não estar disposto.”

Seus vizinhos barulhentos estão “a toda” hoje.
RELAXE!
Liquidificadores, crianças gritando, motocicletas...
"Tome um daqueles comprimidos que o medico lhe receitou."
Carros buzinando, sorrisos cheios de falsa boa vontade, reuniões...
Coloque naquele canal pra adultos e toque uma.
O pastor do canal religioso diz que é pecado.

Você se levanta da cama com o rosto retorcido e arremessa a TV
Pela vidraça da janela com o Pastor Pentecostal gritando que
Você vai pro inferno enquanto seus vizinhos assustados vêm você seminu
Gritando algo sobre as crianças que brincam no gramado serem
Filhos de mães “desonestas” (não com essas palavras).
Queria enfiar os gráficos de metas e treinamentos motivacionais no seu chefe.
Você queria provocar um blackout na cidade inteira.
Você queria encarcerar todos dentro de suas casas.
Queria passar por cima de todos os motoqueiros babacas.
Você queria botar fogo em todas as obras de arte que não fora capaz de fazer.
Você queria lançar os mísseis, a bomba H.
Queria mudar-se para o Himalaia...
...
"Ora, vamos lá!...
Esta tudo bem.
Todos têm dias difíceis...
Agora saia dessa banheira, baby!
E tome seu café da manhã. Se continuar assim,
As pessoas irão se decepcionar com você."

terça-feira, 6 de março de 2012


Ele colocou os grossos e pesados óculos sobre os olhos apertados
E só então percebeu que as lentes estavam sujas e embaçadas.
Há muito tempo seus olhos já não enxergam o mundo como antes,
“É a idade”.
Também suas costas já não são mais eretas como eram antes.
Hoje elas doem.
Seus cabelos cheios e castanhos, agora estão ralos e grisalhos
E seu rosto traz em riscos profundos a passagem do tempo
Ah o tempo! Esse inevitável companheiro.

As datas se confundem, mas ele lembra,
Com romantismo exagerado, dos eventos e pessoas
Do passado.
No entanto, hoje ele se lembrou, com certa confusão,
Talvez pela data, ele não sabe...
“Aquela noite, você se lembra?
Aquela noite de festa quando o gigante passou,
Haviam muitas pessoas fazendo festa
E as ninfas belíssimas e radiantes dançavam
Ao meu redor, você se lembra?”
E o gigante passou imponente cercados por
Vaga-lumes prateados, ah os vaga-lumes...
Eram lindos...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

AMANITA BELBELITA


Sentado no alto de uma montanha,
Contemplo todo o vale verdejante
Enquanto tento entender
O que W. Burroughs quis dizer...

Desviada minha atenção,
Observo a monótona paixão
De um casal de borboletas azuis acasalada
Sobre uma bela rubra Amanita Muscaria.

Olhando o pequeno casal a copular
Sobre aquele enigmático cogumelo nuclear
Fui pego de súbito a devanear:
“Se o amor dessas borboletas escorresse,
Fecundando assim, também o cogumelo
Então... HAHAHAHAHAHAHA!
Teríamos uma montanha salpicada
Por coloridos fungos em revoada
Com suas asas de borboleta azulada.
E sobre nossas cabeças veríamos encantados
O balé cerúleo dos Cogumelos Alados.”

sábado, 28 de janeiro de 2012

A.E.A.O.

   Dos terrenos gelados das Terras do Norte, o trovão ecoa coa dureza do raio que aos covardes espanta e aos bravos alarma.
   Uma tempestade se forma no Norte!
   De tenebroso inferno renasce no natimorto filho, e pelo sangue fresco é batizado, abre-lhe os portões do inferno e sombra libera. Agora, pelo erro tolo da espada que não se conteve, treme a Terra toda.
   Oh, sombra a vagar de noite, nas florestas e nos vales profundos, nos olhos do lobo e das antigas criaturas. Os corações dos fracos e gananciosos vêm domar. E não adianta ser rei, idolatras quer formar para infinitas preces lhe prestar e titânicos exércitos formar.
   Domina as feras e as mentes sombrias para que em seu nome, espadas e escudos empunhar.
   Oh, corações feridos por longas lanças, campos de sangue irão cultivar pela glória da morte...

   Mas o oposto sempre há!
   Do norte o sul.
   Da sombra a luz.
   Da opressão a liberdade.
   E, banhada pelo amor da bela dama, sua espada faiscante cruzará as noites sem dias para iluminar o caminho dos homens. Sábios e destemidos, os Próceres da Terra montarão em seus cavalos de pés velozes e seres alados, filhos da luz, elevar-se-ão para confrontar o Senhor das Sombras e do Frio e dizer-lhe que a liberdade é preciosa demais para ser tomada sem resistência.
   Mas quem sairá ileso diante de tal poder e de tal evento?
   E qual coração é forte o bastante para resistir ao aríete da escuridão?
   Até a mais polida espada não resiste ao rubro sangue do inimigo.
   Até a mais reluzente armadura se ofusca sob um céu carregado de pesadas nuvens.
   Agora, ao som das poderosas trombetas que ecoam no ar tempestuoso junto com o farfalhar das flâmulas de diversas cores, eis que o coração se abala e a espada pesa, mas não deixa de ser desembainhada e apontada para o inimigo...  



ANGUSTIA!

Oh angustia, amiga minha,
Desde os tempos de criança nunca me deixou sozinho.
Quantas noites atravessamos juntos de mãos dadas.
Companhias danadas!

Nos meus paranóicos terrores infantojuvenis,
Nunca me abandonou.
E quando sozinho me encontrou naquele quarto sombrio,
Companheira fiel se tornou.
Quantos vultos e fantasmas enfrentamos juntos?
A quantos misteriosos ruídos encolhemos?
Quantos seres habitaram sob nossa cama?
E você ao meu lado com sua mão apertada em meu coração
Mantendo-me acordado na escuridão.
Na escola éramos inseparáveis
E também no trabalho sempre me acompanhou.

Oh angustia, amiga minha,
Nunca me deixou sozinho.

AOS ANDARILHOS

ilustração do autor
Não me olhe assim com esses olhos frios de cera.
Por muito tempo venho caminhando
E agora que cheguei aqui, não sei pra onde ir.
As estradas são ruins, mas às vezes, vemos borboletas.
Escute-me, tenho tantas coisas para lhe contar:
Na estrada as coisas são difíceis e são raros os momentos felizes,
Apesar das propagandas contrarias que ilude os andarilhos.
Lá, ou você caça, ou é caçado, e não é você quem escolhe
É a estrada.
Mas, pelo menos, ela não impede que você tente mudar.
A estrada é muito longo e cheia de curvas
Você nunca saberá o que pode encontrar.
Por isso, meu amigo, ande com cuidado.
Há bifurcações e entroncamentos,
Encruzilhadas e rotatórias, – mas nenhum retorno.
Quando acha que pegou um atalho ou evitou uma ladeira,
Na verdade pode estar se perdendo, entrando em ruelas escuras e labirínticas
Onde seres sombrios e agourentos habitam.
Esses usarão de subterfúgios para te iludir e te consumir.
São Embusteiros Parasíticos.
Não seja soberbo e escute os que caminham por mais tempo.
Procure em quem confiar, mas não aceite uma verdade... Procure-a.
O caminho é longo...
A estrada é dura...

Agora eu preciso ir.
Não posso me deter por muito tempo
A estrada é longa e eu preciso descobrir aonde quero chegar!



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A LíNGUA UNIVERSAL

A língua está oculta
A língua está molhada
A lingua está ferida
A língua está acuada...
A língua está pra fora  e  não sei onde enfiá-la.

A língua está na orelha
A língua está no umbigo
A língua está quente
A língua está no mamilo
A língua balançando
A língua está dançando
A língua está calada
A língua está enlatada...
A língua está com a língua de outra boca enroscada.

A língua está surpresa
A língua está sentindo
A língua está lambendo
A língua está mentindo
A língua está no dente
A língua está ferina...
A língua do menino está na boca da menina.

A língua do Presidente
A língua do inocente

A língua do político
A língua do partido
A língua endiabrada
A língua bifurcada
A língua do mundo
A língua do mudo
A língua do estrangeiro
A língua do cantor
A língua do mensageiro
A língua do doutor
A língua do padre
A língua do pastor...
A língua está falando, mas ninguém está escutando.

A língua do demente
A língua do escritor
A língua do poeta
A língua do orador
A língua do proféta
A língua do feliz...
Quem consegue por a língua na ponta do nariz?

A língua sem papas
A língua sem cor
A língua sem graça
A língua sem sabor
A língua que entra
A língua que sai
A língua da mãe
A língua do pai
A língua andrógena
A língua esótica
A língua com pircing
A língua erótica
A língua dos ismos...
A língua está no céu e no fundo do abismo

A língua...
A língua ...
A língua...



domingo, 27 de novembro de 2011

R3ALIDAD3 TRANSC3ND3NT3


 É tudo um grande sonho, sabia? Ou um pesadelo...
Um grande sonho do que pode ser, do que foi ou ainda será.
Desse mundo onírico, somente os grandes gênios puderam Perceber,
Mas na falta de entendimento, enlouqueceram.

Ah, Como eu invejo os grandes pintores que contemplaram,
Com seus olhos sacros,
As imagens do real e em pinceladas maravilhosas mostraram aos Cegos
O mundo desperto da mente dos loucos (ou sábios).
Que pinceladas delicadamente poderosas
E que cores impossíveis mostraram as coisas que vemos no
Pueril cotidiano
Como realidade transcendente,
Transformando o simples em sonho,
O ponto perfeito, despercebido e ignorado por nossos olhos
Simplórios,
Eternizado na grandeza dos mestres que tinham o poder de
Parar o tempo
E eternizar o momento.

Bêbados e maníaco-depressivos, 
Loucos, libertinos e apaixonados...
Olhai por nós!

sábado, 26 de novembro de 2011

#5


ilustração do auor
Ei, você sabe onde está? Garoto!
No alto daquele monte mora um
Leão.
É preciso ter passos largos 
Para conseguir escapar.

Mergulhe o mais profundo que conseguir
Só assim saberá por quanto tempo
Consegue ficar sem respirar.

Ei, a floresta é longa e
Escura.
Há árvores milenares
De raízes profundas.
De onde você esta,
Ninguém irá escutá-lo.

O leão devorou todos os que
Moravam no sopé do monte,
Pois subestimaram o terror
De suas garras, e suas presas...
Achavam que ele estava velho
Demais.

Agora, ele desce o monte apenas
Para defecar
Nas ruínas do povoado.

Hei, você viu as sombras que vagam
Pela floresta de noite?
Você sentiu o frio na espinha?
Pois é melhor esconder-se e
Esperar a chuva passar.
Não há reza ou amuleto que
Espante os espíritos dali.
As sombras são densas entre as arvores,
E o sol custa há atravessá-las.
Mas se quiser você pode dançar!

Hei, o leão não entra na floresta
E a floresta não invade o
Território demarcado pelo leão.
É preciso saber onde pisa;
É preciso ter respeito...

Somente o velho peixe conhece as
Respostas
Para suas perguntas,
Pois ele estava ali antes mesmo
Do rio.


sábado, 22 de outubro de 2011

#4

ilustração do autor
Há alguma coisa estranha no céu
esta manhã.
Em seu horizonte,
                                                   contrastando com o intenso azul,
                                                   havia um vermelho 
                                                   apocalíptico.

Era algo sutil,
imperceptível para a maioria,
como cantigas de ninar
antigas. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

AJUDANDO (a destruir) O MUNDO.


Será que podemos almoçar fora?
“Papai, eu não gosto de legumes!”
Vamos pedir uma pizza?
Abriu mais um restaurante na esquina:
Comida antropofágica.
“Mamãe, porque aquele menino está comendo lixo?”

Nós avançamos com nossos carros sobre
Palhaços malabaristas
Nos sinais de transito e arremessamos nossas
Moedas sobre eles.

Vamos deixar nossos carros em casa
E usar o precário transporte coletivo.
Superlotado.
Atrasado.
Inseguro.
Você pode até ter um orgasmo se estiver carente.
Enquanto isso, as grandes corporações poluem o planeta.

Vamos comer alimentos saudáveis,
Tornar-nos vegetarianos e
Encher nossos organismos de agrotóxicos.

Vamos construir armas de destruição em massa.
É mais fácil do que acabar com a fome no mundo.
Vamos devastar a Amazônia e construir um
Shopping Center
Com o maior estacionamento do mundo.

Vamos deixar que os africanos se matem,
Assim ficará mais fácil pegar o
Petróleo e os diamantes da África.

Eu quero assistir Caim e Abel se matarem
Sentado na primeira fila de um cassino em Las Vegas
Comendo pipoca e tomando coca-cola.

“Papai, eu posso atear fogo em um mendigo?”

Vamos raspar nossas cabeças,
Inventar novas suásticas,
Arranjar um novo psicopata para idolatrarmos
E espancar uns aos outros por causa de nossas
Diferenças.

Vamos parar de fumar e respirar
Monóxido de carbono.

Quero comprar uma propriedade no céu,
Bem a beira do abismo para poder mijar
Da minha sacada, nos condenados ao
Inferno.
Vamos distribuir crack na hora do recreio,
Incentivar a pornografia e a prostituição.
"Papai, eu estou gravida!"

Vamos votar conscientes nos mesmos políticos corruptos.
Eu quero ser roubado!
Vamos produzir mais para deixar os acionistas mais ricos.
Estão-me fodendo e ainda querem que eu
Sorria!

Vamos lançar todas as bombas atômicas de uma só vez.

Eu sou a brisa que apagará
Sua ultima vela no blecaute.
Eu sou o coliforme fecal
Nadando em seu copo d’água.
Sou a resistência das bactérias a antibióticos.
O botão de start das bombas atômicas
Que serão lançadas sobre sua casa.
O prato vazio sobre a mesa.
A ultima gota de água potável
Caindo no deserto radioativo.

E você, quem é?

sábado, 15 de outubro de 2011

CORRA! PULE! ESCONDA-SE!


Corra!
Pule!
Esconda-se!

Não adianta correr
Não adianta esconder-se
Eles virão atrás de você...

Eles vão te pegar!

Com seus sorrisos contagiantes
E seus olhos brilhantes...

Vão vir atrás de você!

Os seus corpos perfeitos
E seus fartos peitos.
Correm cassetetes, açoites e tridentes...

Alcançarão você!

É preciso ter uma mente forte e convicção
De quem é,
Se vacilar e deixar-se encantar...

Dominarão você!

Corra, pule, esconda-se...

Ou vão pegar você!

“Não adianta mais esconder-se...
Estamos em toda parte:
Em sua casa,
Na escola,
Em sua comida,
Em sua mente.”

Corra!
Pule!
Esconda-se!

domingo, 25 de setembro de 2011

Cíclico, Cósmico & Infinito


Você, que tem estrela nos olhos
E mesmo no escuro consegue enxergar e
Desvendar os caminhos que a natureza
Tatuou em sua alma...
Os longos cabelos soltos ao vento,
A mão firme, mas delicada,
Segurando o cetro rijo e úmido.
Os seios nus inflam e contraem em gemidos
Prazerosos.
Movimentos contínuos e repetitivos –
A vida é ejaculada com êxtase e frenesi.

É a manipulação dos genes. Egoístas,
Prazeres primordiais e viciantes são seus subterfúgios.
A ilusão do amor...

Crescem e desenvolvem-se,
Evoluem, expandem-se, dominam e são dominados
Consomem e são consumidos,
Devastando tudo até serem devastados,
Extintos e reciclados para renascerem de novo... de novo... e de novo...
Num ciclo cósmico e infinito.

E nas ultimas horas do tempo,
Um casal deitará nus aos beijos e caricias
Enquanto crateras enormes abrem-se na Terra.
E conhecerão o interior um do outro,
Enquanto o interior da Terra é violentamente
Revelado.
E penetrará e terá seu corpo penetrado
Na mais pura e antiga forma de amar, e então... Oh!
O mundo acabará num orgasmo cósmico.